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	<title>REPowerEU &#8211; Átomo Capital Partners</title>
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	<description>[Re]thinking energy</description>
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		<title>&#8220;Transição (energética) não é apenas um imperativo para a descarbonização&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ines]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jan 2023 14:44:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Energias Renováveis]]></category>
		<category><![CDATA[REPowerEU]]></category>
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					<description><![CDATA[Qual a sua posição em relação à saída de João Galamba da pasta do Ambiente e da Energia? A energia e ambiente fazem parte do maior desafio de sempre e verdadeiramente global da história da Humanidade – a descarbonização. O tempo esgota-se rapidamente e as metas estabelecidas no acordo de Paris parecem cada vez mais [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>Qual a sua posição em relação à saída de João Galamba da pasta do Ambiente e da Energia?</strong></h2>
<p>A energia e ambiente fazem parte do maior desafio de sempre e verdadeiramente global da história da Humanidade – a descarbonização. O tempo esgota-se rapidamente e as metas estabelecidas no acordo de Paris parecem cada vez mais uma miragem. O empenho e o esforço de todos terá de ser cada vez maior se quisermos viver com qualidade e conforto no futuro. Foram estabelecidas metas europeias ambiciosas que implicaram compromissos por parte de todos os estados membros. Em Portugal, essas metas estão claramente definidas no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), e estão fundamentalmente relacionadas com a redução da nossa dependência do exterior, incorporação de renováveis e redução de consumos.<br />
Esta caminhada foi iniciada no mandato de João Galamba e desde então muito se tem feito, de facto. Foi conseguida uma alteração profunda da legislação sectorial possibilitando a implementação de mecanismos de acesso à rede que potenciaram muito investimento privado e diversificado no sector. Tivemos os primeiros leilões solares, com uma adesão sem precedentes, e alterações fundamentais para a organização do sistema elétrico nacional, também na área de auto-consumo e comunidades de energia. A aposta no hidrogénio verde está em curso, bem como a integração de possibilidades de <em>storage</em>, hibridização ou incentivo à produção eólica <em>offshore</em>, entre muitos outros exemplos. Está muito em curso e parar não é opção.<br />
Este é um sector fundamental para o desenvolvimento global do país e a possível afirmação de Portugal como um exportador líquido de energia. No entanto, é um sector difícil, com problemas de legislação e regulação, de coordenação, de falta de meios em muitas instituições da administração pública e com enorme evolução tecnológica, o que exige um acompanhamento constante das tendências, assumindo riscos e aproveitando novas oportunidades.<br />
Neste sentido, vejo a saída de João Galamba com preocupação, dado o seu papel ativo em todo este processo de transição. Conhecia bem os dossiers, os problemas, os desafios e detinha a força política necessária para os tentar resolver.</p>
<h2><strong>Foi uma boa decisão do Governo?</strong></h2>
<p>Para o sector da energia dificilmente poderei considerar uma boa decisão. Dada a importância vital do sector para o desenvolvimento e afirmação do país no contexto internacional, seria crucial ter nesta pasta alguém que conhecesse bem os dossiers, incluindo a complexidade técnica inerente a qualquer decisão neste sector, mas não descurando o peso político necessário para que todos &#8211; Governo, Assembleia da República, partidos, e sociedade em geral, consigam entender o papel central desta transição para o nosso sucesso coletivo.</p>
<h2><strong>Qual o impacto desta mudança para o setor?</strong></h2>
<p>O impacto desta alteração dependerá, em grande parte, da pessoa escolhida para assumir a pasta. É necessário conhecer a fundo os problemas para os conseguir resolver. E, apesar do muito que já foi feito, há muito trabalho pela frente. Importará simplificar os processos de licenciamento, sobretudo, torná-los mais previsíveis, estáveis e com prazos razoáveis para que a confiança dos investidores se mantenha. É preciso cumprir o que está legislado em termos de acesso à rede, por exemplo, ou no tempo de resposta das diferentes entidades.<br />
Assim, será muito importante que o novo governante ouça todos os <em>stakeholders</em>, entenda as dores de cada um, e procure ir ao encontro de soluções que fomentem uma transição energética acelerada, mas sólida. De facto, apesar de todos os esforços ainda continuamos atrasados. No solar, por exemplo, onde Portugal detém, a par de Espanha, o melhor recurso da Europa, ocupamos apenas o 10º lugar em potência instalada per capita. No entanto, os países no topo deste <em>ranking</em> são a Alemanha, os Países Baixos e a Bélgica, com cerca de cinco vezes o valor de Portugal e com muito menos recurso solar que o nosso, como é evidente.</p>
<h2><strong>Considera que o Ambiente e a Energia devem estar separados? Porquê?</strong></h2>
<p>Toda a atividade humana conduz a impactes ambientais. Estes terão de ser analisados, avaliados, mitigados, minimizados e, por vezes, dada a dimensão e gravidade, poderão implicar alterações profundas de projecto ou mesmo a sua inviabilização. É normal que assim seja. No entanto, é também importante que, no momento de transição climática que se pretende rápida, mas segura, haja um entendimento claro entre as tutelas do ambiente e da energia para que as entidades públicas responsáveis pelas diferentes áreas estejam alinhadas no desígnio estratégico para o país, mas sem perderem a sua identidade e independêcia técnica para desenvolverem com qualidade o seu trabalho. Admito que possa haver vantagem em colocar o Ambiente e a Energia em Secretarias de Estado separadas, mas sem dúvida dentro de um mesmo Ministério.</p>
<h2><strong>Como é que vai ser o ano 2023 tendo em conta as preocupações que se fazem sentir neste setor?</strong></h2>
<p>Em 2023 teremos, provavelmente, alguma instabilidade nos preços de energia. Porém, a transição para uma eletrificação da economia com base em renováveis será imparável.<br />
Continuar-se-á com grande investimento no sector e no futuro teremos um <em>mix</em> mais diversificado e, porventura, mais seguro, evitando-se dependências exageradas de matérias primas oriundas de países politicamente instáveis e com riscos de quebra de abastecimento bastante superiores.</p>
<h2><strong>Que conselhos / recomendações pode partilhar com os portugueses?</strong></h2>
<p>Eu diria que todos nós teremos de perceber que fazemos parte deste processo de mudança. Esta transição implica uma eletrificação da economia e uma incorporação maioritária de renováveis na produção de eletricidade. E esta transição não é apenas um imperativo para a descarbonização, mas será igualmente a forma mais barata de utilizarmos a energia de que necessitamos para o nosso dia a dia.<br />
E podemos ser parte ativa na mudança, porque podemos escolher livremente o nosso comercializador de eletricidade, podemos utilizar carros elétricos e transportes públicos, podemos ainda ser produtores de eletricidade para auto-consumo, sendo esta uma opção fundamental para o futuro do sistema elétrico nacional. Temos, sobretudo, de não nos deixar encantar com ideias de um passado que já não volta, e, acima de tudo, agarrar um futuro que será mais limpo e mais barato para todos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Miguel Subtil</strong>, </em>Managing Director<br />
5 de janeiro de 2023</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em entrevista publicada na <a href="https://www.ambientemagazine.com/atomocapitalpartnerstransicao-energetica-nao-e-apenas-um-imperativo-para-a-descarbonizacao/" target="_blank" rel="noopener">Ambiente Magazine</a></p>
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		<title>REPowerEU: Ainda estamos a tempo de alterar o PRR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ines]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jun 2022 15:58:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Energias Renováveis]]></category>
		<category><![CDATA[REPowerEU]]></category>
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					<description><![CDATA[Em março de 2022, ficou decidido, no Conselho Europeu, eliminar progressivamente a dependência da Europa no que se refere às importações de energia russa, o mais depressa possível, solicitando-se à Comissão Europeia (CE) a apresentação de um plano “REPowerEU”. O REPowerEU O REPowerEU visa reduzir, rapidamente, a nossa dependência dos combustíveis fósseis russos, reorientando a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em março de 2022, ficou decidido, no Conselho Europeu, eliminar progressivamente a dependência da Europa no que se refere às importações de energia russa, o mais depressa possível, solicitando-se à Comissão Europeia (CE) a apresentação de um plano “REPowerEU”.</p>
<h2>O REPowerEU</h2>
<p>O REPowerEU visa reduzir, rapidamente, a nossa dependência dos combustíveis fósseis russos, reorientando a transição para as energias limpas e unindo esforços, a fim de alcançar um sistema energético mais resiliente e uma verdadeira União da Energia. O REPowerEU foi apresentado pela CE há cerca de duas semanas.</p>
<p>Entende-se, de acordo com a Comissão, que pode ser possível reduzir significativamente a nossa dependência dos combustíveis fósseis russos já este ano de 2022, e acelerar a transição energética. Tudo isto, com base no pacote de propostas Objetivo 55 e na conclusão das ações em matéria de segurança do aprovisionamento e do armazenamento de energia.</p>
<h3>Medidas REPowerEU</h3>
<p>Este novo Plano, designado REPowerEU, propõe agora um conjunto adicional de ações destinadas a: i) poupar energia; ii) diversificar o aprovisionamento; iii) substituir rapidamente os combustíveis fósseis ao acelerar a transição da Europa para as energias limpas, e iv) combinar de forma inteligente os investimentos e as reformas.</p>
<h2>Objetivo 55</h2>
<p>Mas, antes de detalhar estas novas medidas, de que trata afinal o pacote Objectivo 55 de que se fala tão pouco?</p>
<p>Este documento agrega um conjunto de propostas destinadas a alinhar a legislação da UE para a meta de reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em, pelo menos, 55% até 2030.</p>
<p>O pacote Objetivo 55 inclui propostas legislativas relativas ao sistema de comércio de licenças de emissão da EU, metas de redução das emissões dos Estados-Membros, emissões e remoções de gases resultantes do uso do solo, energia renovável, eficiência energética, infraestrutura para combustíveis alternativos, normas de emissão de CO2 para automóveis, tributação da energia, mecanismo de ajustamento carbónico fronteiriço, combustíveis sustentáveis para a aviação e transportes marítimos.</p>
<p>Tudo isto terá um impacto enorme no nosso modo de vida e, sobretudo, na adequação das actividades económicas a uma nova realidade.</p>
<p>De facto, a transição é um imperativo, se queremos salvaguardar o nosso modo de vida e conforto. Mas terá custos, necessariamente, como qualquer processo disruptivo. E é mesmo obrigatório que o seja… Não temos muito tempo…</p>
<h3>O que se pretende com o Objetivo 55?</h3>
<p>É, no entanto, importante que tenhamos consciência do que está em causa. Neste pacote Objetivo 55 estão em cima da mesa, para negociação, coisas tão relevantes como:</p>
<ul>
<li>um conjunto abrangente de alterações ao atual sistema de comércio de licenças de emissão da UE (CELE), resultando numa redução global das emissões de 61% até 2030 nos setores visados, em comparação com 2005, incluindo no CELE as emissões provenientes do transporte marítimo, eliminando progressivamente a atribuição gratuita de licenças de emissão, e criando um novo sistema de comércio de licenças de emissão para os edifícios e o transporte rodoviário;</li>
<li>a elevação da meta de redução das emissões de gases com efeito de estufa da UE de 29% para 40%, em comparação com 2005;</li>
<li>o aumento da atual meta a nível da UE de, pelo menos, 32% de energia de fontes renováveis no mix energético total para, pelo menos, 40% até 2030;</li>
<li>a revisão da atual Diretiva da Eficiência Energética, aumentando a meta de eficiência energética da UE de 32,5% para 36% em relação ao consumo final de energia, e para 39% em relação ao consumo de energia primária;</li>
<li>a aceleração da criação de uma infraestrutura de carregamento e abastecimento de veículos com combustíveis alternativos;</li>
<li>a adoção de uma nova meta de 100% de redução das emissões de CO2 dos automóveis de passageiros e dos veículos comerciais ligeiros, implicando que, a partir de 2035, deixará de ser possível colocar no mercado na UE automóveis ou veículos comerciais ligeiros com motor de combustão interna.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todos estes temas, que estavam já em discussão, têm impacto direto nas nossas vidas e é com base nesta agenda que a CE apresenta agora este novo Plano.</p>
<h2>REPowerEU e Objetivo55</h2>
<p>O REPowerEU baseia-se na execução plena das propostas do pacote Objetivo 55 apresentadas no ano passado, sem alterar a ambição de alcançar, pelo menos, a redução de 55% de emissões líquidas de GEE até 2030, e a neutralidade climática até 2050, em consonância com o Pacto Ecológico Europeu.</p>
<p>Segundo a CE, na sua apresentação do Plano, este não pode funcionar sem uma execução rápida de todas as propostas do pacote Objetivo 55 nem sem metas mais elevadas para as energias renováveis e a eficiência energética. Teremos de atuar, imperativamente, do lado da oferta e do lado da procura.</p>
<p>A intensificação da execução dos planos nacionais em matéria de energia e clima (PNEC) e as correspondentes atualizações ambiciosas são fundamentais para a consecução dos objetivos REPowerEU.</p>
<h2>Portugal e o PRR</h2>
<p>Em Portugal, estamos ainda longe de alcançar as metas pretendidas para 2030, sendo, porventura, esta uma oportunidade de acertar agulhas e redirecionar a sério mecanismos como o PRR, para desígnios tão relevantes como a independência energética do país. Na verdade, esta é uma situação prevista e proposta pela própria Comissão no sentido de acelerar estas medidas.</p>
<p>Não se pede que o Estado faça aquilo que não pode nem deve. Num momento em que a produção de eletricidade com recurso a fontes renováveis é a forma mais barata de o fazer, não se pede que o Estado subsidie a instalação de painéis solares ou financie equipamentos seja para quem for. Temos de mudar mesmo de paradigma e deixar de ter um Estado assistencialista.</p>
<p>Num PRR, supostamente, dirigido para a transição climática, estão previstos, por exemplo, 70M€ para a eficiência energética em edifícios de serviços. Isto representa cerca de 0,4% do total de verbas do PRR, não contribuindo, de facto, para a mudança estrutural de que precisamos.</p>
<p>A verdadeira dificuldade para uma implementação plena de renováveis em Portugal está relacionada com os enormes constrangimentos das redes de transporte e distribuição. E aqui sim, cabe ao Estado dotar o país de infraestruturas capazes de fazer face aos grandes desafios do futuro. É aqui que deveria estar a nossa prioridade.</p>
<h3>Ainda estamos a tempo?</h3>
<p>Estamos a tempo. Ainda estamos a tempo de alterar o que tiver de ser alterado. Distribuir dinheiro avulso financiando sistemas que não precisam objetivamente de subsídios, corresponderá a perder mais uma oportunidade. Mas ainda estamos a tempo.</p>
<p>Os mecanismos de recuperação e resiliência são, precisamente, os que a CE prevê que possam ser utilizados para acelerar a transição energética, agora mais urgente do que nunca. Tenhamos a coragem de fazer o que precisa mesmo de ser feito. Dotemos o país de infraestrutura para que o mercado e a economia possam fazer o que lhes cabe.</p>
<p>Sabemos que é uma tarefa difícil. Sabemos que reestruturar uma rede que estava pensada para uma outra realidade demora tempo e requer muito investimento.</p>
<p>Pois, então, temos aqui a nossa oportunidade. Estuturemos uma task-force, se for esta a maneira que encontramos para conseguir agir rapidamente. Mas ainda estamos a tempo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Miguel Subtil</strong>, </em>Managing Director<br />
6 de junho de 2022</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Artigo publicado na <a href="https://www.ambientemagazine.com/opiniao-ainda-estamos-a-tempo-de-alterar-o-prr/" target="_blank" rel="noopener">Ambiente Magazine</a></p>
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